Você já percebeu como é confortável ter razão?
A certeza é um sofá macio, mas é também uma parede que bloqueia a vista do horizonte. No mundo de hoje, a tirania do ângulo único nos treinou para simplificar o que é complexo.
Não acredito em verdades absolutas, mas uma exceção é a máxima de Sócrates “só sei que nada sei”. Na era da transformação, qualquer certeza parece pouco consistente. Mais do que isso, chega a ser arrogante, uma vez que até o conhecimento científico passou a ter prazo de validade curto..
À medida que a produção científica se expande em ritmo exponencial e os ciclos de revisão se comprimem, a ciência parece entrar numa espécie de “tempo acelerado”, em que o conhecimento não se acumula apenas, ele se renova continuamente, como se cada descoberta já nascesse com a consciência de sua própria transitoriedade. A proliferação de artigos e a pressão por atualização constante criam um ambiente em que a verdade científica deixa de ser um ponto fixo e se torna um fluxo, um estado provisório que existe apenas enquanto não é superado por uma nova evidência. Nesse cenário, a ciência se aproxima mais de um organismo vivo do que de um edifício sólido: ela respira, muda de pele, corrige-se, contradiz-se e avança não apesar dessas revisões, mas precisamente por causa delas.
Não se trata de ser incrédulo, mas a dúvida é o motor da evolução, em uma frase marcante, Walt Disney afirmou “Nós continuamos seguindo em frente, abrindo novas portas e fazendo coisas novas, porque somos curiosos…” e com esse espírito, a mais de 100 anos, Walt Disney protagonizou na área da animação o som sincronizado, technicolor, rotoscopia, xerografia, parques temáticos com animatronics, cinema com os elementos que inspiraram muitos efeitos especiais usados até hoje e criou laboratórios de inovação, entre outras maravilhas.
O Blog www.perspectiveq.net se propõe a entregar o mapa e a bússola, fornecendo a visão do o perspectivismo, porque entre o fato e a percepção individual existe a perspectiva de cada indivíduo. Essa perspectiva é limitada aos paradigmas e crenças que impedem que a pessoa perceba todas as nuances do acontecimento. Esse sistema foi mapeado pela neurociência e se chama Sistema de Ativação Reticular (RAS – Reticular Activating System). Esse mecanismo regula o que entra e o que não entra na consciência, filtrando estímulos e determinando quais percepções chegam ao “eu”.
Quantos estímulos chegam ao cérebro e quantos o RAS deixa passar?
O sistema sensorial humano recebe algo em torno de 11 milhões de bits por segundo de informação bruta, a maior parte vem da visão; o resto, de audição, tato, olfato e propriocepção (o sentido que permite ao corpo saber a posição e o movimento das suas partes no espaço, sem precisar olhar, essencial para equilíbrio e coordenação). Esse número é uma estimativa clássica usada em neurociência cognitiva e psicologia da atenção. Daqueles 11 milhões de bits, apenas cerca de 40 a 120 bits por segundo chegam ao foco consciente, ou seja, menos de 0,001% da realidade sensorial é percebida conscientemente.
Assim, o mundo que percebemos não é o mundo que existe, mas o pequeno fragmento que o RAS permite atravessar o funil da consciência.

Entender o outro não significa concordar com ele, nem se colocar em seu lugar. Dá trabalho, mas para estabelecer empatia precisamos mapear o seu mundo e entender o porquê de suas opiniões. O ponto alto do perspectivismo é, na visão do outro, ampliar a percepção de ambos e poder entender mais sobre o fato ocorrido. Ao atuar como um “Curioso Proposital” , sugerindo que a percepção ampliada evita a má leitura da realidade, ampliando possibilidades. Se você olhar pelo telescópio apenas em uma direção, o restante deixa de existir? A realidade não se limita à sua visão, mas nós, por medo ou preguiça, escolhemos a visão de túnel.

A Perspective Q nasce para quem cansou de repetir roteiros alheios. A pergunta não é se você está certo, mas sim: Que pergunta você ainda não fez? Vamos mudar a lente e, assim, perceber melhor a realidade? Deixe seu comentário sobre qual ‘certeza’ você está pronto para questionar hoje.
Nossa pergunta objetiva:
Estamos dispostos a abandonar o conforto de estar com a razão?
